O Abraço
Sob a pele da casca antiga, o meu abraço desperta raízes adormecidas. No silêncio verde, sinto a seiva a subir pelos meus braços como um rio de luz. As folhas sussurram segredos antigos que só o coração sabe traduzir.
Pequenos elementais dançam à sombra do musgo, rindo-se do tempo humano. Eles penteiam o vento, o sol leve entre os ramos e o meu peito. Cada respiração é um feitiço de cura que limpa, solta, liberta.
O tronco recebe o meu corpo como se fosse uma memória da minha própria origem. Sou terra, sou água, sou fogo baixo, sou ar que respira devagar. No centro deste abraço, o mundo abranda e tudo em mim volta ao essencial.
Do chão húmido, a Mãe desperta em mim o feminino sagrado. Recorda a força suave que nutre, protege, sente e intui. Entre os sulcos da madeira, a coragem para ser inteiro floresce.
Aqui, não há fronteira entre corpo e floresta, nem entre pele e casca. Sou uma mulher-árvore, um templo vivo, um altar de respiração profunda. E ao abraçar este ser gigante, lembro-me: nunca fui separado da Natureza.



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